Grupo de leitura ler.br

Com Luciana Araujo Marques

Este grupo é um convite para adentrarmos o interior do Brasil, guiados pela maestria de escritores que, invariavelmente, atravessaram em suas obras um Brasil interior, perspectiva válida também para a protagonista que leva o ser(tão) consigo para “a cidade toda feita contra ela”, caso de Macabéa, de A hora da estrela.

 

Criadas por autores consagrados e contemporâneos, as narrativas refletem o quanto certas questões rompem com a noção de avanço cronológico, seja no universo rural seja no urbano, das pequenas cidades à metrópole. 

 

Nos variados deslocamentos vivenciados pelos personagens em questão, arcaico e moderno sempre se misturam como base histórica e social da construção de subjetividades, suas crenças e ceticismos. Da posse da terra e dos corpos ao desterro, o sobrenatural, o delírio ou um ato extremo contra determinada tradição nunca se descola do peso da realidade concreta, pois parte dela.

 

São páginas que conjugam: um trabalho intenso com a linguagem e a língua portuguesa, em particular; o testemunho de vivências singulares, mas representativas de questões nas quais todos estão implicados; além de um grande exercício de imaginação e alteridade. 

 

Voltado para aqueles que querem fluir boas histórias, assim como estabelecer aproximações entre um conjunto de leituras e até o diálogo com outras artes (caso do cinema).

 

 

17/07

Torto arado, de Itamar Vieira Jr. 

(ed. Todavia)*

Finalmente vamos poder conversar sobre esse romance protagonizado pelas irmãs Bibiana e Belonísia, descendentes de escravizados, que se passa no sertão baiano, sem se preocupar com spoilers. Ok, um deles: um de seus narradores é uma entidade. (Vencedor do Prêmio Leya, 2018). 

21/08

São Bernardo, de Graciliano Ramos

(ed. Record)

Publicado em 1934, é o segundo romance do alagoano e aquele que o consagrou. São Bernardo é o nome da fazenda que testemunhará a ascensão e queda de Paulo Honório na tentativa frustrada de tratar Madalena, com quem se casa, como mais um item de sua propriedade. Quem quiser assistir ao filme de Leon Hirszman inspirado no livro e trazer as impressões para a conversa, fique à vontade.

 

18/09

A cabeça do santo, de Socorro Acioli

(ed. Companhia das Letras)*

Vamos, junto de Samuel, adentrar a cabeça de uma estátua gigante de santo Antônio, separada do resto do corpo, e escutar as preces e confissões de vozes femininas que passam a ecoar nessa interioridade curiosa, localizada numa cidade quase-fantasma do sertão do Ceará que passa então a ressuscitar.   

16/10

Lavoura arcaica, de Raduan Nassar 

(ed. Companhia das Letras)*

Entre os selecionados, talvez este seja o livro mais desafiante em termos de experimentação formal e de suas referências, por isso mesmo há tanto a se conversar sobre ele. Resumir sua trama ao desejo de liberdade de um filho cético diante da tradição moral e religiosa encarnada pelo patriarca autoritário induziria a uma simplificação do tipo bem versus mal, que é justamente o avesso do que a paixão incestuosa pela irmã evoca. A obra também inspirou uma versão cinematográfica com direção e roteiro de Luiz Fernando Carvalho. 

        Imagem: Marilia Navickaite

Sextas-feiras 

 

dias 17/07; 21/08; 18/09; 16/10; 20/11 e 18/12

 

Das 19h às 21h

R$ 70,00 por encontro

Compre os 6 encontros por 370,00

20/11

Nossa Teresa, de Micheliny Verunsky

(ed. Patuá)*

O subtítulo deste romance de estreia da poeta, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, deixa claro desde a capa a que veio: “vida e morte de uma santa suicida”. Vou incluir aqui mais duas instigações: os pais da vidente milagreira são ateus e quem conta sua história é um narrador que quer que nele se creia como num Deus. 

18/12

A hora da estrela, de Clarice Lispector

(ed. Rocco)

Assim como as demais obras consagradas da literatura brasileira aqui reunidas, a história de Macabéa – a propósito, um nome que carrega uma referência bíblica interessantíssima de se explorar – dispensa apresentações em termos de seu enredo, que também foi explorado no cinema pela diretora Suzana Amaral. Fica uma promessa, mesmo para quem for reler: há muito mais para se falar sobre essa novela do que se pode prever.

Sobre Luciana Araujo Marques

É jornalista e pesquisadora. Trabalhou no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, na revista EntreLivros e em editoras como Melhoramentos, Cosac Naify, Estação Liberdade. Foi selecionada pelo programa Rumos Itaú Cultural de crítica literária, voltado para a produção brasileira (2007-2008) e colunista da Revista Pessoa. É mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada (USP) e doutoranda em Teoria e História Literária (Unicamp). Publicou na plaquete Quelônio Solto #3 (2017) um trecho de seu romance em andamento.

Nossa Teresa, da Editora Patuá, tem 40% de desconto e os livros da Companhia das Letras e da Todavia têm 20% de desconto. Saiba mais ao se inscrever!

Lugar de Ler ∞

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