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Gabriela Aguerre
A escrita de viagem

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Gabriela Aguerre já viajou para muitos lugares. Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Estados Unidos, Canadá, México, Portugal, Itália, Israel, Jordânia, Tailândia, Butão, África do Sul… “Minha história com viagens vem do berço. Nasci no Uruguai e vim para o Brasil aos 3 anos. Vou e volto desde que me conheço por gente. De ônibus, de avião. Longos percursos que geram sempre grandes experiências… da saudade, do reencontro, da despedida”, diz Gabriela.

Além disso, sua mãe trabalhou como agente de viagens por muitos anos: “Passei parte de minha infância dentro de uma agência na avenida Faria Lima, escondida no mezanino, enquanto os clientes vinham à procura de um roteiro, uma lua de mel, um destino. Me divertia brincando com os folhetos e com tudo o que envolvia a transformação de um sonho em uma viagem de fato”, lembra.

Mas foi só nos anos 2000 que as viagens entraram também na sua vida profissional - daí ela ter tido a oportunidade de conhecer quase duzentas cidades pelo mundo. Gabriela trabalhava na Editora Abril quando passou a integrar o núcleo de Turismo. “Viajei por muitos anos, sempre escrevendo. Fui repórter, editora, redatora-chefe, até chegar a dirigir a revista Viagem e Turismo. No total, dos 17 anos que fiquei na Abril, trabalhei com viagem por 10”, diz.

A literatura também faz parte da vida de Gabriela desde criança. Sua casa tinha uma biblioteca cheia

Imagens arquivo pessoal

de livros em português e espanhol: Neruda, Jorge Amado, Galeano, García Márquez. Isso deu a ela a oportunidade de ser fluente nas duas línguas: português, porque foi alfabetizada no Brasil, e espanhol, graças aos seus pais, que mantiveram o hábito de falar na língua materna dentro de casa, e graças aos livros. “Ler em espanhol, para mim, era voltar a fazer parte do país que estava longe, era me aproximar”, diz.

Unir a literatura à sua experiência com viagens foi algo que aconteceu naturalmente quando Gabriela saiu da Editora Abril e se viu reconstruindo a vida profissional. “Comecei a escrever ficção e a dar aulas de jornalismo de viagens. Continuei viajando e escrevendo. Uma hora liguei os pontos: tudo o que eu sabia - e sei - tinha uma origem, e essa origem estava calcada na minha experiência e no meu gosto pela literatura”, conta.

Segundo ela, mais do que um gênero, a escrita de viagem perpassa várias práticas textuais. De um diário a uma reportagem, pode-se passar pelo relato, pelo roteiro, pelo ensaio. “Entendo o viajar como um deslocamento que abre perspectivas muito variadas e interessantes para o texto. Incentivar essas práticas, atiçar esse olhar, viajar dentro de nossa própria cidade, abrir os olhos para o novo e o diferente, relatar como é: tudo isso me movimenta, me apaixona, e é sobre isso que proponho reflexões e exercícios”, diz, contando um pouco do que vai acontecer no seu curso A escrita de viagem, que começará em setembro no Lugar de Ler.

Os textos literários sobre os quais Gabriela se apoia mostram como a escrita de viagem se instituiu na história da literatura e quais são os marcadores que permanecem até hoje: “Continuaremos a narrar como Marco Polo, aprenderemos a olhar o singelo como Colombo, nos permitiremos a inflexões como as de Petrarca? Não pretendo abordagens teóricas, mas curiosas sobre como a escrita de viagem se formou e se transforma até hoje”.

E qual é o seu lugar preferido no mundo? “Hoje é meu escritório no Copan, no centro de São Paulo, no vigésimo-sétimo andar. Lá me sinto entre as nuvens e escrevo sem deadline”, diz Gabriela, que lançará seu primeiro romance de ficção em 2019, pela Editora Todavia.

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