Lúcia Hiratsuka

Narrativa para o Livro Ilustrado

Desde pequena, Lúcia Hiratsuka está cercada por poesia: nasceu em um sítio, no interior de São Paulo, chamado Asahi, que em japonês significa “sol da manhã”. Lá, cresceu em meio à natureza e aos livros, que vinham do Japão, incluindo os ehons, que são livros ilustrados. Mais que isso, havia ainda as histórias da avó, contadas a partir das lembranças de sua infância vivida em uma região rural do Japão.

Foto: Renato Stockler

Essas memórias inspiraram Lúcia a escrever e ilustrar o delicado Orie (Ed. Pequena Zahar), que ganhou o prêmio de Livro para a Criança, FNLIJ 2015. Chão de Peixes (Ed. Pequena Zahar), seu mais recente lançamento, criado a partir de haicais, também vem de memórias da infância, só que, dessa vez, da própria Lúcia: “Quando era bem pequena, minha avó rabiscou um peixinho no chão do nosso quintal de terra. Gostei tanto que desenhei também e nunca mais parei”, conta em seu site www.luciahiratsuka.com.br.

Seguiu para a cidade de São Paulo para estudar na Faculdade de Belas Artes. “Mas foi quando conheci os trabalhos de Eva Furnari, Ciça Fittipaldi, Angela Lago e Ricardo Azevedo que encontrei o caminho da ilustração”, diz. Essa descoberta a levou para a Universidade de Educação de Fukuoka para aprender sobre a arte do ehon.

Para chegar a 23 livros publicados, escritos e ilustrados por ela, houve ainda um importante aprendizado em oficinas de escrita. “Eu nunca tive muita facilidade em criar histórias. Iniciar um texto e me perder no meio era constante. Ao participar das oficinas, fui percebendo o que poderia me ajudar na construção de uma história, ou como explorar melhor uma ideia simples”, diz.

Uma ideia simples que poderia nascer de algum relato ou de uma cena guardada na memória, e que fica dentro de Lúcia até o dia em que ela percebe que está na hora de construir a história. “Isso implica entrar em contato com as emoções das personagens, explorar as cenas, desenrolar e desenroscar fios... e enxugar muito. E quando entram as imagens, por mais que eu já tenha cortado o texto inicial, vejo que ainda posso tirar frases, mudar e acrescentar pausas. As histórias vão se revelando nesse processo”, diz.

Para Lúcia, é como se estivesse dirigindo um filme: no lugar de atores, há os personagens, e no lugar de equipamentos, há apenas lápis e papel.

Nas oficinas literárias, ela escreveu muitas crônicas e contos para adultos. “Nunca deixei de atuar no campo da literatura infantojuvenil e dos livros ilustrados, mas alguns dos meus títulos, como Histórias tecidas em seda, Os livros de Sayuri, Orie e Chão de peixes, são lidos também por adultos”.

A partir desse percurso, decidiu também dar oficinas para compartilhar o que aprendeu. “A troca é sempre rica”. Entre os vários cursos que já deu, o de Narrativa para o livro ilustrado, que começa em agosto no Lugar de Ler, vem de uma proposta nova: “O curso foi pensado para quem gosta de escrever e para quem gosta de ilustrar. Mas também para aqueles que querem conhecer melhor a construção de um livro ilustrado. A ideia é não depender apenas da inspiração e aprender a explorar o que está próximo de nós. Vamos 

Foto: Claudia do Amaral

trabalhar também a construção das frases. Alguns acabam escrevendo um conto. Os ilustradores chegam a montar um boneco,o protótipo do livro, com imagens. Já quem não ilustra, pode separar o texto por páginas, pensar nas pausas e perceber melhor o ritmo da narrativa”, explica.

Trata-se de uma grande oportunidade de conhecer o processo de criação de um livro ilustrado, lidando com as suas muitas linguagens capazes de contar uma história e expressar uma ideia poética: “A arte da montagem de um livro é fascinante”, diz Lúcia, sempre inspirada.

Lugar de Ler ∞

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Vila Madalena - São Paulo

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